Núcleo de Ortopedia e Dor
A ortopedia pediátrica é uma subespecialidade dentro da ortopedia que tem como objetivo o estudo, diagnóstico e tratamento dos distúrbios de desenvolvimento, malformações congênitas, doenças neuromusculares, fraturas e lesões envolvendo crianças e adolescentes. Ela possui uma sociedade própria, a Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica. Por vezes, recebe também o nome de cirurgia ortopédica infantil.
O ortopedista pediátrico, profissional responsável pela subespecialidade, está apto a diagnosticar e tratar os problemas citados anteriormente. Para isto, recebe um treinamento especial em problemas pediátricos, após completar sua residência médica. Dentre as principais condições observadas no corpo de crianças e adolescentes estão as deformidades nos pés, quadris, coluna, infecções ósseas, tumores ósseos e deformidades rotacionais.

A ortopedia Neuromuscular é a subespecialidade responsável por tratar as doenças neuromusculares (aquelas que afetam os músculos e sua relação direta com o sistema nervoso). Elas podem causar paralisias e outros problemas, dependendo da localização e natureza do problema. Alguns exemplos de doenças neuromusculares são a paralisia cerebral, as miopatias, a poliomielite e as neuropatias.
Pé Chato em Crianças

O pé chato em crianças, também conhecido como pé plano infantil, é uma condição comum nos primeiros anos de vida. Trata-se da ausência ou formação incompleta do arco plantar, o que faz com que a sola do pé fique mais próxima do chão.
Em muitos casos, essa característica é considerada fisiológica e se corrige naturalmente com o crescimento. No entanto, há situações em que o tratamento para pé chato infantil é necessário para evitar dores, má postura ou dificuldades para caminhar.
O que é o Pé Chato Infantil?
O pé chato é uma condição em que o arco do pé é pouco definido ou ausente, fazendo com que toda a planta toque o chão. Isso pode causar alterações na pisada, como o pisar para dentro (pronação excessiva), além de desequilíbrios no alinhamento dos membros inferiores.
É normal ter pé chato na infância?
Sim! Até os 4 a 5 anos de idade, é normal que o arco plantar ainda esteja em formação. A gordura plantar infantil pode disfarçar o arco, dando a impressão de que a criança tem o pé chato. Na maioria dos casos, o arco se desenvolve naturalmente até os 6 ou 7 anos. No entanto, se a criança sente dor, se cansa facilmente ao caminhar, ou apresenta um histórico familiar de pé plano sintomático, vale investigar com um ortopedista infantil.

Sintomas que merecem atenção
- Dores nos pés, tornozelos ou pernas
- Cansaço ao caminhar ou correr
- Desequilíbrio ou tropeços frequentes
- Calçados que se desgastam mais de um lado
- Marcha alterada ou postura inadequada
Tratamento para Pé Chato Infantil
O tratamento para pé chato infantil varia de acordo com o tipo da condição (fisiológico ou patológico), idade da criança e presença de sintomas.
Em casos fisiológicos e assintomáticos:
- Acompanhamento clínico regular com ortopedista
- Estímulo à atividade física descalço (andar na areia, grama ou superfícies irregulares)
- Orientações posturais e exercícios lúdicos para os pés
Em casos sintomáticos ou com alterações estruturais:
- Fisioterapia motora e postural
- Uso de palmilhas ortopédicas personalizadas
- Exercícios específicos para fortalecimento e correção da pisada
- Em casos mais raros, pode ser considerada a cirurgia para correção do pé plano rígido
Quanto mais precoce for a avaliação, melhores as chances de correção sem intervenções invasivas.
Quando procurar um ortopedista infantil?
- Se o pé chato persistir após os 7 anos de idade
- Se houver dor, cansaço excessivo ou dificuldade para caminhar
- Se o pé for muito rígido, sem flexibilidade ao movimentar
- Se houver histórico familiar de alterações estruturais nos pés
Pé Torto em Crianças

O pé torto em crianças, também conhecido como pé torto congênito, é uma malformação ortopédica que afeta os ossos, músculos, tendões e ligamentos dos pés, fazendo com que o pé fique virado para dentro e para baixo. Essa condição está presente desde o nascimento e, quando tratada corretamente nos primeiros meses de vida, pode ser totalmente corrigida, permitindo que a criança tenha uma vida ativa e saudável.
O que é o Pé Torto Congênito?
O pé torto congênito é uma deformidade estrutural do pé, que ocorre durante o desenvolvimento fetal. Em geral, afeta um ou ambos os pés e é mais comum em meninos. O pé assume uma posição anormal: com a planta voltada para dentro e o calcanhar elevado. A deformidade pode variar de leve a severa, sendo rígida e não corrigida espontaneamente, diferentemente de algumas alterações posturais do recém-nascido.
Causas e Fatores de Risco
Na maioria dos casos, a causa do pé torto congênito é desconhecida, mas alguns fatores podem estar associados:
- Histórico familiar de pé torto
- Alterações genéticas
- Baixo volume de líquido amniótico durante a gestação
- Algumas síndromes neuromusculares ou doenças genéticas
Diagnóstico
O diagnóstico geralmente é feito no pré-natal, por meio de ultrassonografia, ou logo após o nascimento, com base na avaliação física. A confirmação e o grau da deformidade podem ser definidos com exames de imagem, se necessário.

Tratamento para Pé Torto Congênito
O tratamento para pé torto congênito deve começar o mais cedo possível, preferencialmente nas primeiras semanas de vida. O objetivo é corrigir a posição do pé e permitir o desenvolvimento normal da marcha da criança.
Método de Ponseti:
É o tratamento mais utilizado e eficaz. Consiste em:
- Manipulações semanais do pé
- Engessamentos seriados para corrigir gradualmente a posição
- Tenotomia do tendão de Aquiles (pequena cirurgia ambulatorial) em muitos casos
- Uso de órtese (bota e barra de Denis Browne) após a correção, para evitar recidivas
Fisioterapia:
Complementa o tratamento, com exercícios de mobilização e fortalecimento, especialmente em casos de recidiva ou tratamento tardio.
Cirurgia:
Indicada apenas em casos graves ou quando o tratamento conservador não teve sucesso. Envolve liberação cirúrgica de estruturas rígidas do pé.
Prognóstico
Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a grande maioria das crianças com pé torto congênito pode andar normalmente, praticar esportes e ter uma vida sem limitações. O acompanhamento regular com o ortopedista infantil é fundamental para garantir que o desenvolvimento do pé continue adequado ao longo do crescimento.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril

A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), anteriormente conhecida como luxação congênita do quadril, é uma condição ortopédica infantil caracterizada pela formação anormal da articulação do quadril, que pode resultar em instabilidade, subluxação (desencaixe parcial) ou luxação completa do quadril.
Essa alteração ocorre ainda durante o desenvolvimento fetal ou nos primeiros meses de vida, e pode comprometer a mobilidade, a postura e o desenvolvimento motor da criança se não tratada adequadamente.
O que é a Displasia do Desenvolvimento do Quadril?
A displasia do quadril ocorre quando a cavidade da bacia (acetábulo) é rasa ou mal formada, não encaixando corretamente a cabeça do fêmur. Isso torna a articulação instável e propensa a se deslocar. A condição pode afetar um ou ambos os quadris, sendo mais comum em meninas e no quadril esquerdo.
Principais Fatores de Risco
- Sexo feminino (4 vezes mais comum em meninas)
- Histórico familiar de displasia ou luxação do quadril
- Primogênitos
- Parto pélvico (bebê sentado no útero)
- Oligoâmnio (baixo volume de líquido amniótico)
- Síndromes genéticas e alterações musculoesqueléticas

Sinais e Sintomas da Displasia do Quadril
Nos primeiros meses de vida, a displasia do desenvolvimento do quadril pode não apresentar sintomas evidentes. No entanto, alguns sinais podem ser observados:
- Assimetria nas pregas das coxas ou glúteos
- Dificuldade para abrir as pernas durante a troca de fraldas
- Estalidos ou cliques no quadril ao movimentar as pernas
- Uma perna parecer mais curta do que a outra
- Atraso para sentar, engatinhar ou andar
Diagnóstico da Displasia do Quadril
O diagnóstico deve ser feito o quanto antes por um ortopedista pediátrico. Durante as primeiras consultas pediátricas, o médico realiza exames clínicos (como os testes de Ortolani e Barlow) para verificar a estabilidade da articulação. Para confirmação, é indicada uma ultrassonografia do quadril (em bebês até 6 meses) ou radiografias (após os 6 meses de idade).
O diagnóstico precoce da displasia do quadril é essencial para o sucesso do tratamento conservador e para evitar a necessidade de cirurgias.
Tratamento para Displasia do Quadril em Crianças
O tratamento para displasia do quadril em crianças varia de acordo com a idade da criança e a gravidade da instabilidade articular:
- Recém-nascidos e bebês até 6 meses:
– Uso de órtese de Pavlik, que mantém o quadril na posição correta para permitir o desenvolvimento adequado da articulação
- Bebês entre 6 e 18 meses:
– Redução fechada com imobilização em gesso (após sedação ou anestesia)
– Acompanhamento com exames de imagem frequentes
- Crianças maiores de 18 meses:
– Cirurgia corretiva (redução aberta), nos casos em que a articulação não se estabilizou com o tratamento conservador
Em todas as faixas etárias, o acompanhamento ortopédico contínuo e a fisioterapia podem ser fundamentais para garantir o sucesso do tratamento e o desenvolvimento motor saudável.
Prognóstico
Quando diagnosticada precocemente e tratada corretamente, a displasia do quadril em crianças tem altas taxas de sucesso, permitindo que a criança cresça com quadris estáveis e função articular normal. O tratamento tardio pode levar a sequelas, como claudicação (mancar) e artrose precoce.
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